REVITALIZAÇÃO DO MERCADO DISTRITAL DO CRUZEIRO

O projeto de Revitalização do Mercado Distrital do Cruzeiro busca atender às premissas da PMI, norteado por três principais eixos: conservação e revitalização do prédio original como patrimônio de Belo Horizonte, manutenção e potencialização de sua vocação comercial original, e adequação da estrutura na paisagem, no entorno e nos princípios de sustentabilidade.

A primeira diretriz de projeto para o conjunto, fundamental para a espacialização e concepção volumétrica, é a salvaguarda da altimetria e volumetria da obra preexistente projetada por Éolo Maia. Este pré-requisito também atende de imediato à adequação volumétrica do objeto ao seu entorno sem criar impacto na paisagem urbana e à proteção da visada da Serra do Curral, outro patrimônio importante em evidência na área de visibilidade. A partir destes preceitos, refuta-se toda e qualquer intenção de verticalização da ocupação, bem como da criação de volumes em primeiro plano em relação à construção histórica a ser resguardada.

As novas construções foram pensadas para que não sejam protagonistas em relação ao edifício existente: busca-se aqui uma inserção mais silenciosa e harmônica com a paisagem. A relação entre o antigo e o novo é “pacífica” e gentil. Esta intenção está presente em todas as soluções projetuais, seja nas suas relações com o patrimônio ou no contexto da cidade e seus cidadãos.

Por outro lado, o programa posto direciona para a necessidade de adensar substancialmente a metragem construída, para que as ações sejam viáveis economicamente dentro de um plano de negócios e que as questões técnicas e funcionais necessárias para as múltiplas atividades do Mercado possam ser atendidas. Dentro desse modelo financeiro para uma concessão, objeto do edital em referência, se fazia necessária primordialmente a ampliação da área bruta locável – ABL, possibilitando um maior mix de produtos e serviços integrados aos hoje consolidados. Além disso, estão previstos novos espaços de apoio, setores técnicos, circulação e ampliação das vagas de estacionamento, entre outras melhorias para que o empreendimento atenda às demandas técnicas e funcionais para o uso proposto – um Mercado.

O desafio é trabalhar com a dialética entre densidade da área construída e baixo impacto na paisagem e no patrimônio a ser mantido. Como solução, fixou-se a altimetria da cobertura do mercado como limite do volume a ser edificado. Por meio de uma análise criteriosa dos condicionantes, distribuíram-se os novos espaços edificados do conjunto.

Tendo em vista o aumento da área locável, criou-se um pavilhão rente ao talude de fundos do terreno (divisa com o Parque Amílcar Vianna Martins), com o nível ajustado ao piso atual do mercado para que houvesse total integração de circulação e comércio. O novo volume deveria ser gentil e respeitoso com a estrutura original, e para isto o pavilhão possui um alinhamento preciso de sua empena de fachada em relação à do edifício existente. Aqui, tem-se o cuidado na manutenção da memória e temporalidade das modificações, que vai além de preservar os volumes, mas sobretudo diferenciar os materiais e sistemas construtivos de forma a se criar uma leitura imediata do que é a obra projetada por Éolo Maia e do que é a inserção contemporânea. Rejeita-se toda e qualquer intenção de “falso histórico”, princípio básico que seguimos em intervenções em monumentos históricos.

Os ambientes de permanência transitória e sem permanência, como estacionamento, setores técnicos, depósitos e carga e descarga, foram alocados nos subsolos, evitando qualquer impacto numa grande massa edificada. Outras zonas locáveis foram localizadas abaixo do nível do piso do Mercado, aproveitando a conformação topográfica de frente para a Rua Opala.

Além da conformação volumétrica, há que se considerar a necessidade de se prever e criar generosos vazios internos e externos para que a ambiência, o conforto, a apropriação e a experiência dos usuários sejam as melhores possíveis. O projeto, em todos os detalhes, explorou a iluminação natural, ventilação e aberturas/vistas para a cidade.

Neste sentido, a proposta prevê a abertura das circulações de forma mais generosa, desobstrução das vistas, criação de várias praças (internas e externas) e livre fluxo para todos os sentidos, além de privilegiar estratégias de iluminação e ventilação natural, principalmente nas zonas de compras e permanência.

Projeto integralmente desenvolvido em tecnologia BIM.

 

DADOS DO PROJETO:

  • LOCAL: Rua Ouro Fino, 452, Bairro Cruzeiro, Belo Horizonte/MG
  • DATA DO PROJETO: 2018
  • ÁREA CONSTRUÍDA: 35.430m²
  • ESTACIONAMENTO: 458 vagas cobertas

FICHA TÉCNICA

  • ARQUITETURA: Alessandra Carvalho e Pedro Doyle
  • COLABORAÇÃO: Lucas Fukuda
  • IMAGENS: Urbana Arquitetura